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Era 2016 e João Victor estava no terceiro ano do ensino médio quando começou a sentir que algo não estava bem em seu corpo. Sentia que precisava procurar ajuda urgente, dessa forma, passou por uma consulta com um médico particular e vieram as primeiras suspeitas de câncer.

João, que até então tinha como maior preocupação os estudos, precisaria enfrentar uma pré-metástase com o tumor bem próximo do sistema linfático. Após a realização de um exame mais detalhado, ele descobriu também vários linfonodos. Isso o classificaria em um estado de metástase, o processo caracterizado por quando um tumor se espalha para outras partes do corpo.

Nem João, nem a família dele, tiveram muito tempo para assimilar o susto e ele logo precisou que se preparar para a cirurgia, com a retirada do tumor e início dos processos quimioterápicos. O procedimento cirúrgico foi realizado em Recife, no Hospital das Clínicas. Porém, na unidade de saúde, não havia como dar continuidade ao tratamento, pois a quimioterapia oferecida no hospital não era para a faixa etária pediátrica. Havia outra unidade de saúde que poderia receber o paciente, mas a família via um obstáculo: à distância e a constância das viagens para a realização do tratamento.

Para que João não sofresse ainda mais com os efeitos colaterais da quimioterapia, o ideal era que ele conseguisse um tratamento mais próximo de casa. Um lugar onde ele tivesse a comodidade de se locomover poucos minutos entre as idas e vindas da continuidade do tratamento. Foi quando o nome do Instituto do Câncer Infantil do Agreste surgiu, e logo após os primeiros contatos, o paciente já estava cadastrado e com sua primeira consulta marcada no Icia.

Seriam quatro ciclos de quimioterapia, e João precisaria abdicar do ano letivo de maneira presencial. Muito comprometido com os estudos, o Icia foi em busca de uma solução para que ele continuasse estudando e não perdesse o ano. Com isso, João acompanhava de casa os conteúdos das aulas e entregava as atividades e provas para avaliação. Para garantir a integridade da imunidade dele, foi um período que João passou mais em casa e quando aproveitou para estudar ainda mais. Um momento em que ele se distraia, e não focava no que estava enfrentando.

Os meses foram passando, os ciclos de quimioterapia terminaram e os exames mostravam que João, realmente, estava vencendo a batalha. João prestou vestibular e passou para o curso de Biomedicina. Mas agora ele teria outra luta pela frente, como iria pagar pelos estudos na faculdade. Foi quando, durante uma entrevista para um jornal local, a história de João chegou até alguns responsáveis pela faculdade em questão. Então, ele conseguiu que o pagamento da matrícula fosse adiado. Tentou um financiamento estudantil, mas não conseguiu de primeira.

Mesmo diante das dificuldades ele não desistiu, reuniu forças e foi em busca do sonho de ter uma profissão. Depois de não conseguir o financiamento na primeira tentativa, o impossível aconteceu: uma das vagas do financiamento foi desocupada, com isso, João conseguiu um lugar e a oportunidade de cursar as disciplinas sem o pagamento imediato.

Terminou a faculdade em 2020. Em 2021, ele começou a colher os frutos de todos os seus esforços. Repetiu os exames e não havia nem sinal de câncer. Estava a caminho a cura clínica que é quando a doença desaparece totalmente, mas o paciente ainda precisa se cuidar para evitar o retorno da mesma. Veio também a colação de grau e o diploma de biomédico. O tratamento e os estudos em paralelo fizeram João focar no futuro e alcançar bons resultados.

Em depoimento para a produção desse relato, João deixou a seguinte mensagem: “Tudo cooperou para o bem. Comecei a enxergar melhor a vida e aproveitar cada momento. Existe um João antes e outro depois do câncer. Precisamos levar a vida de forma mais leve, grata. Hoje conto minha história de superação, como um jovem que enfrentou o câncer, as dificuldades financeiras, mas foi em busca do seu sonho. Faço meu acompanhamento anual de saúde, e estou aqui sem sequelas da doença. Bati o Sino da Esperança em junho desse ano, e isso marcou o fim da minha jornada no tratamento efetivo contra o câncer. Mas, de certa forma, ele sempre fará parte da minha vida. Como um momento de motivação para que eu pudesse colocar a prova minha fé e determinação. Sou grato a todos que fazem parte e ajudam o Icia”.

*É proibida a reprodução total ou parcial desse texto sem prévia autorização.

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